Sinta-se abraçada por mim.
Sinta-se abraçada desde agora.
Ininterruptamente por 15 minutos.
Sinta-se abraçada, por uma forte paixão.
Fique em paz e viva.
Amanda.
Sinta-se abraçada por mim.
Sinta-se abraçada desde agora.
Ininterruptamente por 15 minutos.
Sinta-se abraçada, por uma forte paixão.
Fique em paz e viva.
Amanda.
“A sorrir
Eu pretendo levar a vida
Pois chorando
Eu vi a mocidade
Perdida”
Trecho da música “O Sol nascerá” de Cartola
Eu comecei a escutar novamente, mas dessa vez o quarto estava absolutamente quieto e eu inquieta. Só me recordo dos seus passos impacientes e seu olhar aflito porque mal quero eu lembrar do resto, quando foi até a cozinha tomar um copo de água na tentativa de se acalmar e saiu pela porta da sala de estar sem nada a dizer.
O silêncio tomava conta de mim e as palavras ditas banalmente pelos seus lábios que de tanta busca encontraram-se perdidos, estavam vermelhos como a cor do meu batom. A efervescente situação estava saindo das entrelinhas e partindo para o mais íntimo de nós dois e num tempo impossível você disse que queira-me por inteira, de A à Z, delirava no jeito que o olhava e sentia raiva por ser dominado pela sensação de desejar ter-me por perto sempre, da encantadora eu, menina mulher, que o fazia sentir-se liberto da jaula da vida e esquecer da ilusória impuridade humana.
Em exaustão porque o meu senso de perplexidade havia se escondido diante de cada palpitação forte de seu coração, subitamente perdemos nossas inspirações, como o sol que por tolice não quer nascer e num suspiro eufórico e sincero coloquei meu corpo a se aproximar do seu, minhas mãos a te acariciar e minha boca a te beijar. Entre as lágrimas do meu rosto e do seu, palavras cantavam na minha mente enquanto sua visão ia clareando levava-o numa valsa dilacerada pelos gritos do vento e a melodia das ondas do mar. Me prendestes em teus braços, retribuindo-me, enquanto teus lábios encostavam no meu, movidos pela amargura do desejo que a loucura do amor tinha naquele exato momento com a incerteza de que talvez aquele fosse nosso último beijo e nosso último “viver junto”, quando sem querer sobre minha penteadeira deixamos cair meu vaso de vidro que automaticamente se partiu em mil pedaços. Ele sussurrou, eu te amo.
Nos tocamos, acordamos, ouvimos, olhos fixados um no outro e tudo de repente veio com um fleshback, o anseio, a indignação, a raiva, o amor, a dor, a partida, o não entendido, a incerteza, as lágrimas, as palavras ditadas e as ocultadas, foram o resumo de uma conturbada noite e uma futura manhã triste. Ele havia saído pela porta da sala de estar e eu sabia exatamente para onde ele ia.
E mesmo eu e você no meio deste caos, posso lhe afirmar, meu amor, que um dos meus segredos é você.
Fique em paz e viva.
Amanda.
I’m sick, for your love.
I’m sick, for your love.
I’m sick, for your love.
Às vezes só sei lhe dizer isso.
E você com tão poucas palavras retribui.
I love you very much, forever.
I’m sick, for your love, too.
Fique em paz e viva.
Amanda.
Há três dias atrás, 12 de maio, visitei a exposição “Vampira del Sol” da cantora Karina Buhr, além de compositora, percussionista, ela pinta. Esse agradável evento ocorreu na galeria Vértices Casa, na Vila Madalena, onde logo na entrada és recepcionado por um gentil moço a oferecer drinques e ao som de Bárbara Eugênia e Naná Rizinni você acaba sendo movido por uma energia que mistura os poderes da música, composição, alegria e tons. Pernambucana nata, não deixou a desejar e caprichou bastante, um lugar harmônico e colorido, com pessoas bonitas e quadros magníficos, com direito a porcelanas personalizadas por ela, camisetas e outras coisinhas a mais, a maioria à venda. Uma mistura bem feita e encantadora de dois tipos de arte, a composição fez parte dela e eu amei.
No dia seguinte, sabendo das atuais exposições do Instituto Tomie Ohtake, não perdi essa grande oportunidade. Comecei pela exposição “Ana Prata e também o elevador, o vulcão e o jantar” de obras perfeitamente retratadas voltada a temas com uma inconstância de critérios e fazendo com que o espectador seja colocado em repouso para tentar entende-lá, muitas vezes sem precisar. O conjunto das obras é fortuito, cada obra tem uma variação da atitude da própria artista, não deixando de ser envolvente. É como se cada tela fosse uma história iniciada ou terminada, cada detalhe cotidiano fosse uma explicação deste universo poético de Ana Prata.
“Desinformação Funcional” de Marco Maggi, realmente me impressionou também pela riqueza de detalhes e sensibilidade por parte do artista. Utilizando como ferramenta de trabalho o papel, criou formas e sentidos novos a esse que recebe tratamentos inadequados. Nas mãos de Maggi são geradoras de pura criatividade, começando pelo labirinto no meio da sala onde estava sendo exposto outros trabalhos, algo completamente interativo e atrativo pelas cores utilizadas, eu mesma não evitei de passar entre aquelas pequenas amontoações de papeis coloridos. Obcecado por superfície e certamente por geometria, o todo e nada ficou simples e sofisticado.
O projeto “Teimosia da Imaginação” constituído por obras de 10 artistas brasileiros foi esplendido. Observei cada obra, desde esculturas a pinturas, cada uma com sua personalidade e toque de cada artista. No término, fui conferir o documentário iniciado por Malu Viana Batista, da Polo de Imagens para a Tv Cultura de São Paulo, com o objeto de viabilizar essas obras, porque elas não são conhecidas, ainda. Iniciantes no mundo da arte, experientes no mundo real, é caso de Izabel Mendes de Cunha, 88 anos, mineira, casinha simples de uma cidade pequena, mãos frangidas e fortes, utiliza elas para fazer suas esculturas feitas de barro vermelho e pintadas de barro branco, olhar que representa luta e surpresa depois que disseram a ela que tinha gente fora do país que estavam comentando sobre suas bonecas, todas com uma linguagem própria de tradição e regionalidade e Aurelino dos Santos, baiano, simples, esbanja paciência numa busca incansável por linhas retas e perfeição, equilíbrio de cor também é marcante em suas telas. Analfabeto assumido, conviveu com a vanguarda nas décadas de 80 e 90, vive só. Falo destes dois casos em especial dentre os dez, porque me emocionou muito e não negarei que chorei bastante após eles e neste exato momento me emociono só de escrever.
Fique em paz e viva.
Amanda.
Ao som de Nocturnes, Op 9. Nº 2 in E- Flat Major por Frederic Chopin penso na delicadeza das coisas. Detalhe por detalhe descrevo-as sem ajuda de ninguém, apenas meus olhos a enxergam tão claramente que de tão claros agora parecem embasados. Olhos que veem, olhos que talvez sintam. Olhos que na neblina se escondem entre todos os nasceres do sol e despedidas da Lua reluzem mesmo assim em vida. Janela da alma dizem, janela porque não se pode ultrapassa-lá com um pulo e sim, somente observar. Da alma, a resposta nunca poderei conceder, mas ainda me sinto tão enlevada por tamanha proeza de ali espiar e esperar continuo, porque certamente os olhos sejam os únicos que o faz com tanta paciência.
De uma terra não encantada, com olhos encantados, meu coração parte de imaginar a crueldade enquanto tenho desgosto por esses seres que não sabem ler detalhes perfeitamente consolados pelo ardor do amor que vem-lhes visitar algumas vezes ao dia. Porque senão vejo as coisas em seus detalhes, para que me valem, então? Uma parcela de nada, e se é nada, é alguma coisa, não? Mesmo que essa coisa signifique algo que não tem nenhuma ocupação, espaço ou lugar. Ou ainda, que não seja um sentimento, já sendo um, que não seja algo concreto, já sendo prova, que não seja real já sendo idealizado. Tal nobreza é o nada que não tem que ficar se preocupando com tais questionamentos, ele é apenas ele.
A beleza do olhar não é só ter alguém que os olhe e elogie, como algo ornamental, é também determinante em uma boa comunicação e desencadeiam diversos conceitos, dúvidas e metáforas. São tão secretos quanto parecem ser, fuga de um dia ruim, reencontro para a matar a saudade, olhos nos olhos para a paixão se concretizar, um conforto ou como disse Bob Marley “Escrevo aqui no presente para que no futuro seus olhos possam lembrar de mim, quando sua mente me esquecer”.
Fique em paz e viva.
Amanda.
E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. Aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão. E aprende que, não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam… E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso. Aprende que falar pode curar dores emocionais. Descobre que se leva anos para construir uma confiança, e apenas segundos para destruí-la.Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa… por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas; pode ser a última vez que as vejamos. Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém… Algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo. E você aprende que realmente pode suportar… que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!
por William Shakespeare
“Só de viver no seu mar
De merecer seu olhar
Seu beijo todo dia
E as noites cada vez mais limpas”
Trecho da música “Sem Mentiras” de Fabio Gomes